Sunday, September 24, 2006

PORQUE LULA VAI GANHAR A ELEIÇÃO

Passeando pelas ruas, entre carreatas de candidatos e buzinaço, ouvindo um buzuzú ali, um blá blá blá acolá, tirei minhas conclusões sobre a suposta vitória de Lula já no primeiro turno dita pelas pesquisas e me deu uma tristeza tão profunda que tive um breve desejo de tomar um avião e ir para qualquer lugar do mundo, já que graças a minha competência e trabalho duro, tenho passaporte e poderia tranqüilamente passar pelo menos alguns meses fora disso tudo. Não o faço porque tenho esposa, filhos e familiares que amo demais para deixar para trás.

Não sei a causa, se excesso de sofrimento, passagem rápida demais para as diretas ou se é uma pequenice do povo brasileiro mesmo, mas percebo que hoje, nosso povo pensa da seguinte forma; No tempo de Fernando Henrique, um pacote de arroz passava dos R$ 12,00; O pãozinho francês beirava os R$ 0,60 e a carne, nem se fala; O tal do cimento ia a passos largos em direção à casa dos R$ 30,00 e hoje os preços de todos estes produtos caíram muito. Então, havendo estabilidade de preços vale tudo. Não importa se vazam Reais ou dólares por baixo de cuecas, em malas ou em qualquer outro tipo de invólucro que os disfarcem.

É triste ver que o brasileiro aos poucos oficializa o “rouba mas faz” achando que se não fosse assim as coisas estariam piores e não percebe que está trabalhando por comida, como no tempo da escravidão abolida pela princesa. È preciso querer mais da vida!. Será que viramos todos “Gersons”? e pior, Gersons burros que não percebem que a comida está barata mas o preço do gás continua o mesmo? Será que esta prática foi escolhida como melhor sistema de governo, que passa a ser aceito como instrumento de uma vida melhor para todos num país onde só quem ganha dinheiro é empresário dono de supermercado, banqueiro ou traficante?.

É triste ver um presidente da república comprar o povo pobre de sua terra natal com os míseros R$ 50,00 por mês (isso quando chega a este valor) dizendo na tv e em toda a mídia que sua meta é chegar ao ponto em que todo brasileiro possa fazer 3 refeições diárias ao invés de investir de forma a suprir as necessidades desse povo. Como se fosse possível alimentar alguém com três refeições diárias com uma ajuda em torno de R$ 1,50 ao dia, por mais barata que esteja a comida. É triste ver que por trás do cimento barato, comida por preço estável existem também empresários quebrados com o excesso de impostos, excesso de encargos trabalhistas e todos os excessos imaginários e possíveis de um governo que de um lado toma cada vez mais dinheiro público em forma de impostos e em troca oferece um assistencialismo barato e vergonhoso que não melhora em nada a vida dos assistidos.

Vendo tudo isso com olhos críticos e tristes eu penso: Para onde caminha meu Brasil? Meu Brasil que outrora já teve comando, já teve sua soberania que hoje é afrontada sem constrangimento através da imagem denegrida de uma de suas principais marcas, a Petrobrás, que depois de anos investindo em solo estrangeiro vê suas instalações a mercê de um presidente esperto que sonha em confiscar de vez aquilo que tanto esforço exigiu de brasileiros por lá pelo bem daquele próprio país e a própria Petrobrás não pode fazer muito além para se defender, pois o tal presidente é “amiguinho” do nosso.

Que fazer, se a opção contra isso tudo é um candidato que quando governador conseguiu triplicar os pedágios, colocou quase todas as obras nas mãos da iniciativa privada para ficar livre da lei de responsabilidade e não sabe conquistar nosso povo com um sorriso, pois é “técnico” de mais? Ou se a outra opção é uma senadora que se veste de salvadora da pátria, que não tem mácula nenhuma e nos lembra um certo sindicalista que era a esperança do Brasil há alguns anos? Meus Deus! para onde vamos...

Não dá vontade de ir embora? Mas não vou, quero viver num país decente, onde o povo aprenda que não é só o “meu “ que conta. Num país onde todos os pais de família percebam que não é só de comida e carro financiado em 60 meses que se vive.

Quero viver num país onde cada um tenha a consciência de que não basta ter um armário cheio de arroz para se colocar o voto na urna. Isso é muito pouco. “Eu” tendo comida pra mim e para a família, que se dane o capital estrangeiro, que se dane o dinheiro na cueca e os mensalões da vida.

Tomara que um dia o povo aprenda que não é pagando para se aprovar projetos que se faz um país andar pra frente. Enquanto isso, vou eu votando em quem eu acho melhor e não em quem é comodamente melhor. Vou desligando minha tv no horário eleitoral para economizar energia como nos tempos do apagão...

Pena que estou incluso nas pesquisas eleitorais como “não pontuou”.


Desabafo de um brasileiro anônimo.

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